sexta-feira, 30 de março de 2012

Gênero textual: TIRINHAS (Aula 01)

 Na primeira aula, apresentamos  os elementos mais comuns presentes nas tirinhas, os balões, tipos de letras, enfatizando a representação da oralidade, expondo a questão dos níveis de fala como recurso que possibilita a identidade verbal do personagem e assim o torna mais crível.


O hipergênero quadrinhos foi criado para englobar os gêneros história em quadrinhos, charges, tirinhas, entre outros, visto que esses possuem algumas características similares. Logo, tirinhas é classificada como uma ramificação ou subtipo dos quadrinhos.


Quando estudamos as tirinhas percebemos que na maioria das vezes é composta de até três quadrinhos, mas há casos também em que encontramos até quatro quadrinhos.
Entre os recursos característicos da linguagem dos quadrinhos, os balões são os responsáveis pela interação, pelos diálogos. No formato arredondado sinaliza uma conversa normal. O balão de pensamento é representado na forma de uma nuvem, uso mais comum, e com bolhas na direção de quem está pensando.  Há ainda outros tipos de balões simulando os diferentes modos de expressão, diferindo apenas no desenho: balões que possuem contornos tracejados conotam voz baixa; quando representados em formato de explosão, os balões representam a fala em tom elevado, grito; balões pontiagudos sinalizam para os sons oriundos de algum objeto eletrônico.
Exemplos de balões


Um estudo realizado por Robert Benayoun, em 1968, apontava 72 tipos diferentes de balão. A escolha do (s) tipo (s) de balões varia de autor para autor. Há autores que não utilizam balões, apenas o apêndice – linha, seta, pontiaguda que indica quem está falando/pensando.
                
Os balões contribuem para a representação da fala, mas há outros recursos e estratégias disponíveis para a reprodução das marcas presentes na oralidade. As variadas formas e tamanhos da letra, dependendo da intenção do autor e do contexto, podem assumir diversos sentidos, destacamos: Letra tradicional - Indica fala usual considerada o “grau zero” do qual os outros derivarão. Negrito - Pode indicar tom de voz alto ou ênfase a alguma palavra ou expressão, nesse caso o contexto contribui para a compreensão do sentido. Itálico - Indica palavras ou expressões estrangeiras. Letra em tamanho menor - Indica fala sussurrada ou em tonalidade mais baixa.
               
Esses recursos foram criados para poder se aproximar o máximo possível de elementos presentes na realidade, assim, as histórias ficam mais verossímeis, mais “acreditáveis”. O autor de história em quadrinhos, conta com a estratégia de repetição – seja de palavras, sílabas, frases – que pode conotar desde gagueiras, surpresas, má incompreensão, ou intensificar emoções/afirmações.

Dito sobre a aproximação com o “mundo real”, as variantes linguísticas são importantes para a crença no personagem, possibilitando a identidade verbal dele. Sabemos que Chico Bento não pertence ao ambiente urbano, pois, entre outras características, seu modo de falar é oriundo do meio rural, no caso, o interior paulista.

               
Outra semelhança da linguagem dos quadrinhos com a oralidade é a de variar com o tempo. Comparando uma mesma história publicada em diferentes momentos, nota-se o uso de expressões, gírias pertencentes a época em que foi lançada.
               
Como a crença na história é algo significativo, assim como tudo o que já foi dito até aqui contribui para isso, é importante ressaltar também o papel dos sons. A representação sonora de elementos presentes no ambiente enriquece a assimilação do que está sendo contado. São responsáveis por isso: os recursos paralinguísticos – utilizados para representar os sons que acompanham a fala como choro, suspiros e risos. E as onomatopeias – representantes dos sons em geral. Porém, há autores que, por uma questão de estilo, preferem não utilizar desse artifício.
Onomatopeia representando o som de um objeto.
Recurso paralinguístico representando o som do choro




sexta-feira, 23 de março de 2012

Internetês: ameaça à Língua Portuguesa


Por Karla Hansen;

"Há, ultimamente, um certo alarde a respeito de uma criação dos adolescentes usuários da Internet: a novidade é que, quem tem menos de 20 anos e acesso à rede mundial de computadores, não dispensa o "internetês" para escrever suas mensagens ou se comunicar nas salas de bate-papos virtuais.

No entanto, o que parecia uma brincadeira de adolescente está abalando o coração, já tão cansado, dos professores da língua portuguesa. O assunto também já ganhou as páginas dos jornais e tem alimentado calorosos debates entre acadêmicos, escritores e jornalistas, principalmente, depois que um canal de televisão por assinatura resolveu legendar seus filmes, nitidamente movido pela necessidade mercadológica de atrair a audiência jovem, com o "internetês".

Basicamente, o debate tem dividido os interessados entre os que são contra e os que são a favor. De um lado e do outro existem os exagerados e alarmistas de plantão. Entre os que são contra, por exemplo, um argumento bem forte é o de que o "internetês" é mais que uma degradação da língua, um verdadeiro atentado infame a ela. Em artigo publicado no site do Observatório da Imprensa, o escritor Deonísio da Silva, chamou de "besteirol" o novo "idioma" e classificou o fenômeno como "assassinato a tecladas" da língua portuguesa.

Afora os termos virulentos, Deonísio analisa o assunto com ponderação. Segundo o escritor, nunca se escreveu tanto como nesses tempos de correspondências eletrônicas, mas para ele estão "botando os carros na frente dos bois". Ou seja, esses adolescentes têm acesso à internet e ao celular, mas não à norma culta da língua escrita. Nas palavras de Deonísio: Os pequenos burgueses tinham internet e celular, mas não dominavam a língua escrita. E por isso criaram a deles. Nada espantoso. Também os habitantes das periferias não dominam a norma culta da língua e criam suas gírias, devidamente circunscritas a cada grupo de usuários.

Para resumir, o escritor defende que o "internetês" é um sintoma da grave falência educacional, que por sua vez, gera a exclusão dos jovens ao mundo letrado ao qual só poucos têm acesso.

Deonísio da Silva esteve também presente no Observatório da Imprensa - programa exibido semanalmente pela TVE, cujo assunto foi pauta recente. Além do escritor e do apresentador do Observatório, jornalista Alberto Dines, outros convidados estavam presentes: professor Sérgio Nogueira, que comanda um programa na Rede STV sobre língua portuguesa e Marisa Lajolo, escritora, professora e estudiosa da Universidade de Campinas (Unicamp), entre outros. Da mesma forma, na televisão, os participantes se dividiram entre os que "mordem e os que assopram" o linguajar cibernético.


Alberto Dines personificou o advogado do diabo ao provocar os convidados com a aposta de que o "internetês" era nada mais do que um rebaixamento da língua, um "nivelar por baixo" em suas palavras.

Combatendo serenamente essa tese, Marisa Lajolo é uma das que não veem nada de grave na invenção dos adolescentes. Ao contrário, ela acredita que a nova escrita na Internet está promovendo um "surto de poliglotas". Na sua opinião, o "internetês" é apenas mais uma linguagem usada pelos jovens para se comunicarem entre si, considerados, por ela, poliglotas pela capacidade de se expressar de maneira diferente com seus pais, professores e com os demais interlocutores da comunidade. Dessa forma, para a escritora, isso demonstra criatividade dos adolescentes em criar um código próprio, que reforça a identidade dos mesmos.

Ainda no programa, Sérgio Nogueira não se deixou abalar pelas provocações de Alberto Dines e aconselhou os professores a não se assustarem, mas procurarem conhecer a linguagem. Antigo trabalhador da língua, escrevendo para jornais e apresentando um programa de televisão voltado exclusivamente para o assunto, Sérgio Nogueira admite que esse é um "fenômeno natural". Para ele, o problema maior a ser atacado pelos professores é mesmo o domínio da linguagem padrão.

Outro que vê com bons olhos o fenômeno é o poeta Ledo Ivo. Por diversas vezes, declarou na mídia, seu apoio ao que ele batizou de "dialeto eletrônico". Para o acadêmico estamos diante de um fenômeno linguístico e cultural que só comprova a vitalidade da língua e sua capacidade de se transformar através das gerações.

Na mídia impressa, também teve quem se manifestasse. Em sua página na revista domingueira do jornal O Globo (Revista O Globo, 20/3/2005), a escritora gaúcha Martha Medeiros escreveu sobre o "internetês" e se mostrou assustada com a adoção do dialeto no lançamento do Cyber Movie, sessão do canal de tevê por assinatura, que adotou a linguagem juvenil nas legendas dos filmes. Para ela, esse é um sinal de lamentável e vertiginosa decadência da língua portuguesa.

Entre melancólica e irônica, Martha concluiu sua crônica afinada com a opinião do escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura: no filme "Língua, vidas em português" (de Victor Lopes, 2002) Saramago prevê que, em breve, estaremos nos comunicando com grunhidos, como os homens das cavernas. E aí, ele nem se referia à Internet, mas ao fato de que, há apenas 50 anos, a língua era falada e escrita de modo mais belo e rico, por nossos antepassados.

Há, do outro lado, entusiastas febris. Pessoas afirmam que o "internetês" veio revolucionar a língua portuguesa e chegam a oferecer um "curso de língua de internetês", no qual estão traduzidas as principais expressões da "língua" num "dicionário".

Fato é que: todo o "dicionário de internetês" é formado por um punhado de expressões derivadas do inglês, outras tantas abreviações e palavras inventadas que reproduzem o som das sílabas faladas. Qualquer pessoa, razoavelmente alfabetizada e que tenha conhecimento de conceitos rudimentares da língua inglesa, é capaz de decifrar o código.

Seguindo o bom senso do professor Sérgio Nogueira, alguns professores de língua portuguesa já tiveram a iniciativa de promover, em sala de aula, atividades com o dialeto. Não se trata de rejeitar, diminuindo-lhe a importância, ou de elevar aos céus, atribuindo-lhe poderes para "revolucionar" ou mesmo ameaçar a língua portuguesa. Essas experiências em sala de aula têm a qualidade de reconhecer o fenômeno e explorá-lo, mostrando sua dimensão real.

Dessa forma, é possível que o "internetês" ainda dê o que falar. Mas, com o vocabulário reduzido de que ele dispõe, é provável que o debate, assim como a própria vida do novo dialeto, não sejam capazes de ir muito longe.

Nesta edição, nós do Portal abrimos espaço para você participar do debate sobre a escrita usada pelos adolescentes na Internet. Qual a sua opinião sobre o "internetês"? Participe de nosso fórum Discutindo.

11/4/2005

artigo retirado do site http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materias/0227.html, acessado dia 22.03.2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Linguagem, Oralidade e Escrita

Como diz Luís Fernando Veríssimo “(...) a linguagem, qualquer linguagem , é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal” (apud LUFT , 2001 , p.15 ) . Isto é, linguagem é uma forma de expressão verbalizada ou não, cujo efeito é o de comunicar ou informar sobre algo.

Outra definição para linguagem seria a de que ela é um sistema de signos, ou seja, é uma meio por onde se comunicam ideias, símbolos, sentimentos, sinais ou qualquer outra ação que esteja relacionado ao intuito de comunicar. O homem necessita da linguagem para a sua existência, todos os seus atos e consequências estão ligados de modo intrínseco com a linguagem. A linguagem é a legislação, a língua o código diz Barthes (1978, p.13)

As duas principais ramificações desse sistema, a linguagem oral e a escrita, possuem características peculiares e, de qualquer modo, sempre vão andar lado a lado. isto é, a escrita é um derivado da oralidade. Tanto numa quanto noutra, sua utilização vai depender do meio em que irão ser inseridas. Você não fala (linguagem oral) com seus amigos do mesmo modo que em uma entrevista de emprego. Você não escreve (linguagem escrita) uma carta para seu chefe do mesmo jeito que escreve para sua parceira (o). Concluindo, os níveis de linguagem e oralidade devem ser observados na hora do uso.

Na comunicação oral, temos a presença do outro, na mesma situação de interlocução, e podemos nos fazer entender não só com palavras, mas com variações da entonação, gestos, expressões faciais diz Graciema Therezo (2008, p.31)

  • Algumas caraterísticas da linguagem oral*: 

  1. Mais favorecida por elementos situacionais;
  2. Disponibilidade de recursos de entonação;
  3. Há repetição de palavras;

No caso da escrita, é preciso pensar que só recorremos a ela quando o interlocutor não está próximo, não existe simultaneidade entre a fala e a escuta, por isso há que haver suficiência de dados, para que ele possa compreender nossa mensagem em sua totalidade diz   Graciema Therezo (2008, p.31)

  •   Algumas caraterísticas da linguagem escrita*: 
  1. Menos favorecida por elementos situacionais;
  2. As palavras são separadas em vocábulos;
  3. A modalidade escrita é conservadora;




*características retiradas do livro de Graciema Therezo


referências bibliográficas:

THEREZO, Graciema Pires. Redação e leitura para universitários. 2 ª edição, 2008. editora Alineia, p. 31-54;

BARTES, Roland. Aula (Aula inaugural da cadeira de semiologia literária do colégio da França, em 7 de jan. de 1977). Trad. Leyla Perrone-Moisés 17ª edição, São Paulo, 2010. editora Cultrix.

LUFT, Celso Pedro. Língua e Liberdade. São Paulo: Ática. 6ª edição. 1998.





segunda-feira, 12 de março de 2012

Blog do PIBID de cara nova !

Após modificações no design e nas configurações, este blog foi reformado para se tornar mais acessível e prático para nossos alunos e até mesmo docentes e parceiros.

Com o intuito de mostrar nossos trabalhos, artigos, dicas e principalmente com a função de promover o letramento em torno de nossos seguidores. Este blog mais uma vez entra em ação !

Obrigado pela sua visita!

Ah, não deixe de comentar, criticar ou ajudar nosso blog !